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domingo, 30 de janeiro de 2011

Será que máquinas podem amar?



"FIM DE SEMANA passado, revi o clássico de ficção científica "Blade Runner: o caçador de androides", de 1982, baseado no livro de Philip Dick. O filme, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford, passa-se em 2019, numa Los Angeles futurística. O enredo levanta questões sobre a relação homem e máquina que devem ser revisitadas. Pela perspectiva de 2011, a primeira coisa que notamos é como a visão de futuro do filme está errada." 

Excelente artigo de Marcelo Gleizer publicado hoje, na Folha: http://marcelogleiser.blogspot.com/2011/01/sera-que-maquinas-podem-amar.html

sábado, 29 de janeiro de 2011

Rick Warren, Uma vida de Propósitos?

O filósofo Daniel Dennett faz uma análise crítica, inteligente, acessível e divertida do best-seller "Uma vida de propósitos", do pastor Rick Warren. Novamente, a fumação dos mesmos temas: ciência, religião, significado...  e, em se tratando de TED, transhumanismo (o assunto é discretamente recorrente por lá).

Um tema repisado neste blog e que requer bastante subsídio para seu desenvolvimento é o da relação entre as ideias transhumanistas, a religião e, vamos chamar assim, o sentido ou propósito da vida, questão que geralmente vem colocada nos seguintes termos: "Se não há um Deus, como a vida pode ter sentido? Se a morte extingue nossa existência, tornando a vida um absurdo em que não vale a pena qualquer sacrifício de longo prazo, por que viver? Por que não sair por aí simplesmente matando e estuprando? "(esta última, vários religiosos já me fizeram. A resposta curta é: porque (1) você teria que ser insensível ao sofrimento alheio e (2) você iria parar na cadeia e sofreria mais)
Já fiz algumas reflexões iniciais no primeiro post (que recentemente atualizei -- sim, nfelizmente o blogger não salva todas as versões, apenas a última). Ateus (o filósofo Daniel Dennett é um) e agnósticos têm suas respostas, que basicamente podem ser resumidas no seguinte: "é melhor aceitarmos as coisas como elas são e levarmos uma vida boa, sem infernizar uns aos outros,  a ter que utilizar as fábulas religiosas, que, além da mentira em si, trazem péssimos efeitos colaterais (hipocrisia, exploração e estímulo da ignorância, fanatismo religioso, terrorismo religioso etc.)".

A maioria dos transhumanistas é composta por pessoas seculares.  Mas são, digamos, seculares insaciados,  exigentes, que querem arrancar, pela força da ciência, algo a mais da existência humana. O transhumanismo pode ser considerado melhor que o ateísmo na medida em que fornece melhores respostas às grandes questões existênciais humanas -- melhor do que simplesmente apontar o aspecto negativo e fantasioso das religiões e defender a resignação da vida como ela é. O ser humano é um irresignado por natureza.

Alternativamente, o transhumanismo oferece os mesmos produtos da religião aqui na terra, daqui a pouco, baseando-se não na explicação sobrenatural, mas na ciência e tecnologia. Mas o transhumanismo apresenta um ponto fraco em relação ao ateísmo puro: o desejo de relização desses objetivos encantadores, como o canto de uma sereia, pode perigosamente aproximar marinheiros transhumanistas dos rochedos altamente indesejáveis da religião (como a credulidade ingênua, a ausência de espírito cético e crítico e a disposição de seguir cegamente líderes), que podem, no final das contas, fazer soçobrar a nau da razão.  Claro que, quem fica em terra firme, como os ateus, nunca correrá esse risco de naufrágio. Morrerão resignados e serão enterrados no chão. Por outro lado, abdicam de toda potencialidade que a ventura marítma poderia lhes proporcionar: a infindável experimentação das especiarias orientais e a aventura no meio do caminho.

O dilema transhumanista: arriscar-se a satisfazer as necessidades fundamentais da existência humana sem despedaçar a nau da razão nos velhos rochedos religiosos.
Enfim, é assunto para muita reflexão e aqui vai um subsídio enorme para ela, do filósofo Daniel Dennett, um dos grandes nomes da filosofia mundial, cuja fala consegue escapar da característica comum das falas dos filósofos: ser mortiferamente chata e hermética. A palestra é uma reação à fala de Rick Warren no TED. Trata-se de um pastor  evangélico estadunidense que fez tremendo sucesso editorial com o livro "Uma vida de Propósitos", e foi convidado a palestrar no TED. Outro ponto para Dennett:  como bom humanista, ele pega leve com Rick Warren, reconhece tratar-se de uma pessoa bem intencionada (justiça seja feita: Warren doou inteiramente a fortuna que fez com seu livro), porém absolutamente equivocada.

Ainda sobre o assunto (religião tradicional), vale a pena citar Freud, em "O Mal Estar na Civilização":  "Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida."

Para assistir a palestra de Dennet, basta clicar no título abaixo (se acessar o site, há legendas em Pt-br): 

A reação de Daniel Dennett a Rick Warren

A gota que faltava para eu comprar uma esteira

Sentar muito pode matá-lo?
lroot em 6 de janeiro de 2011

Fonte: http://www.lifecoderx.com/can-sitting-too-much-kill-you/


 
Em um estudo com mais de 17.000 canadenses publicado em 2009 pelo Dr. PeterKatzmarzyk e seus colegas da Pennington Biomedical Research Center descobriram-se ligações entre o tempo gasto sentado e mortalidade. "As pessoas que mais se sentavam tinham aproximadamente 50% mais chances de morrer durante o período que se seguia ao estudo do que indivíduos que se sentavam o mínimo, mesmo considerando-se a mesma idade, tabagismo e níveis de atividade física ... Isso sugere que todas as coisas sendo iguais (o peso corporal, níveis de atividade física, tabagismo, ingestão de álcool, idade e sexo) a pessoa que senta-se mais tem ummaior risco de morte do que a pessoa que senta-se menos."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Schopenhauer, um transhumanista



Publicado no site da H+ Magazine em 20 de janeiro de 2011

       A história tem muitos pensadores que já experimentaram idéias transumanistas. Pensadores como o filósofo Arthur Schopenhauer.
       Arthur Schopenhauer foi um filósofo que viveu na parte do mundo que hoje conhecemos como Alemanha entre 1788-1860, e passou a maior parte da última parte de sua vida na cidade de Frankfurt am Main.
       Apesar de conservador em suas opiniões políticas e hábitos pessoais, a filosofia de Schopenhauer soa para mim como transumanista. Isso porque ela enfatiza os aspectos negativos da condição humana e sugere como podemos escapar destas, e atingir um estado superior de ser.
       O transhumanismo de Schopenhauer é bastante diferente da visão moderna, de progresso centrado na humanidade. É negativo, enfatizando os aspectos ruins da humanidade a partir do qual devemos escapar. Schopenhauer sugere que a maneira pela qual podemos nos tornar melhor é deixar de ser seres conscientes e imergindo-nos na arte, música, ou atividades intelectuais.
       No núcleo de visão de mundo de Schopenhauer está a idéia daquele que ele nomeou seu herói intelectual, e companheiro filósofo alemão do Immanuel Kant (1724-1804). Essa idéia é a de que a consciência humana é dividida em duas áreas: a consciência comum e um elevado estado de ser que pode perceber as coisas como elas realmente são.
       Estes dois estados de consciência correspondem aos dois lados do mundo. Estes são o mundo ou representação ("Vorstellung", como Schopenhauer chamou-lhe, no original alemão) ou o mundo da vontade ("Wille"). A representação do mundo pode ser pensada como o mundo que é evidente para nós, e que percebemos através de nossos sentidos e os métodos empíricos das ciências. O mundo da vontade é o mundo como ele realmente é.
       Estes dois mundos estão relacionados, mas é um erro confundir a imagem com a coisa real, e como seres humanos, só podemos perceber as imagens, relances das sombras de uma realidade mais profunda.
       Essa idéia de vontade é uma questão complicada. Para Schopenhauer não significa Deus, ou qualquer outro tipo de consciência metafísica. A vontade é provavelmente melhor descrita como uma constante, irracional, inconsciente, sanguinário esforço por parte de tudo no universo, para ser ao invés de não ser.
       Os seres humanos têm a capacidade de se engajar no pensamento racional, que corresponde ao mundo da vontade. No entanto, também temos uma vontade subjacente de lutar e sobreviver.
       A humanidade está dividida entre uma vida de sobrevivência e reprodução, e outra do intelecto. Schopenhauer acreditava que existem maneiras de escapar do mundo do irracional se esforçando, e fugir para uma contemplação intemporal de uma realidade mais elevada.
Para Schopenhauer, um flautista afiado, os escapes foram a música e a arte. Ao perder-nos na contemplação estética, poderíamos transcender nossos eus mais básicos.
       Schopenhauer chegou a muitas das mesmas conclusões encontradas no budismo, embora tenha chegado a elas de forma independente, tendo publicado suas principais obras em 1818, enquanto as idéias da filosofia budista só foram introduzidas na Europa em 1830 e 1840.
       A filosofia de Schopenhauer mistura Platão, Kant e os Upanishads hindus para criar uma visão de mundo que consegue ser atraente e deprimente: a existência é sofrimento. É uma pancadaria infindável de dor e tédio, aliada a um esforço constante para o que não pode ser atingido. E ainda assim, há escapatória. Os seres humanos podem executar obras de arte e perder-se na arte da música, jogando o jogo, ou de fabricação.
       O que Schopenhauer entende por "perder-se" na arte-final é muito semelhante à idéia moderna de "fluxo" ("flow"), como descrita pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. O fluxo é um estado mental de total envolvimento com uma atividade.
       Essa idéia de fluxo é irônica, já que sugere que na maioria das atividades humanas de expressão artística, não usamos as faculdades de percepção consciente mais humanas.
       Schopenhauer é geralmente retratado como o pessimista dos pessimistas, mas não posso deixar de sentir que Schopenhauer pode ser interpretado como dizendo algo profundamente otimista: mesmo que a existência consciente seja sofrimento, está ao nosso alcance nos perdermos na arte [NT: ou ciência e tecnologia!] e transcender nossas mais baixas propensões para a violência e o conflito.
       Esta é uma idéia transumanista poderosa, mas levanta questões profundas sobre a humanidade e o que é ser humano. O que exatamente é a consciência de qualquer maneira? Não perdemos nossa humanidade quando nós a rejeitamos ou nos tornamos algo diferente?
       O matemático e lógico britânico Alfred North Whitehead (1861-1947) escreveu certa vez que "a civilização avança, alargando o número de operações importantes que podemos realizar sem pensar sobre elas." Que progresso ao longo dos últimos 200 anos de industrialização tem significado apenas isso. O trabalho penoso e insano das fábricas de pino de Adam Smith foi substituído por máquinas (não em todos os lugares e em todos os casos, você diria). A humanidade como um todo não é mais "consciente" de muitas das coisas que ela produz. a atenção do homem não é necessária para muitas das atividades do dia-a-dia da civilização.
       Isso é verdade em um nível individual também. Eu acordo quando soa um alarme. Eu me desloco dirigindo um carro cujo funcionamento eu mal entendo e não tenho que conscientemente "pensar" sobre sua utilização. Acabei de fazer isso. Na verdade eu sou "consciente" de apenas uma parcela muito pequena do meu tempo. O que a consciência acrescenta à minha vida?
       Então, para voltar a Schopenhauer: talvez a consciência, como a ganância ou fome, só poderia ser outro lamaçal humano a ser retirado da estrada para a pós-humanidade. 

       Eu diria que quem reconhece a fragilidade da condição humana, e a necessidade de fuga, pode ser considerado um transumanista. Schopenhauer não poderia ter sonhado com as tecnologias emergentes que nos concedem a possibilidade de escapar, e consequentemente ele defendia uma vida ascética dedicada às artes. Talvez possamos fazer algo melhor.

Para se aprofundar:
Straw Dogs: Thoughts on Humans and Other Animals  por John N. Gray. Este livro oferece um esboço de Schopenhauer e como suas idéias equivalem a uma concepção negativista do transumanismo.

Gloom Merchant por Roger Scruton. Scruton não concorda com o que ele chama de "pessimismo global" de Schopenhauer e oferece uma opinião contrária sobre o progresso humano.

A  Enciclopédia Stanford de Filosofia tem um verbete brilhante sobre Schopenhauer e uma introdução à sua filosofia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Elementar, meu caro IBM Watson

WATSON, ao centro, circundado de dois campeões do Jeopardy! Ele parecia estar à vontade.
 
Uma das previsões de Kurzweil feita ainda na década de 80 era a de que um supercomputador venceria o campeão mundial de xadrez em 1998. A previsão foi ridicularizada (pelo próprio Gasparov, o campeão derrotado) pois, embora computadores sejam bons em cálculo, o xadrez envolvia muito mais do que contas envolvia estratégia, sagacidade, senso de oportunidade, sendo considerado o mais intelectual dos jogos. Pois bem, Kurzweil errou por pouco: a vitória do DeepBlue ocorreu em 1997, um antes!

A notícia correu o mundo. Mas logo se ouviu a voz dos críticos: xadrez é fácil, porque é algo, assim como a música e a matemática, muito exato e envolve cálculos de modo que a força bruta dos computadores leva vantagem. 

Ok, o argumento é bom. Mas o que dizer de um jogo que envolve charadas, informações ambíguas e incompletas e pegadinhas abrangendo todo o conhecimento humano (as curiosidades)? Ou seja, algo quase oposto ao jogo de xadrez? 

Pois bem, por incrível que pareça, um novo projeto da IBM pode garantir o título de vencedor mundial do Jeopardy! (o "Show do Milhão" dos EUA) a um computador. 

E o que você e eu temos a ver com isso? (além de ter uma oportunidade a menos de ganhar um milhão) O seguinte: se um computador consegue vencer humanos no Jeopardy!, por que não conseguiria fazê-lo no diagnóstico médico, por exemplo? Uma forma de garantir diagnóstico a custo baixo para bilhões de pessoas. Os médicos teriam seu futuro ameaçado com isso? Acredito que não (pelo menos os cirurgiões). Por razões políticas, por muito tempo ainda se exigirá que um humano confirme o diagnóstico.

Para os cientistas da computação, esse feito representa algo mais: novo alento para a tese da IA Forte e de que a IA continua avançando.
Leia a notícia sobre o WATSON, que traduzi livremente do site SingularityHub:

"Em uma prévia em Nova York, o computador IBM de processamento de linguagem pura, WATSON, enfrentou os titãs do Jeopardy: Ken Jennings e Brad Rutter. WATSON venceu. Claro, era uma rápida sessão de disputa, e as partidas reais não irão ao ar até fevereiro, mas parece que WATSON tem uma boa chance de se tornar campeão do mundo no torneio de curiosidades. Alex Trebek não presidiu esta partida preliminar, mas ele estava de prontidão para assistir WATSON fazer de igual para igual com alguns dos principais concorrentes humanos da história do Jeopardy. Ele brincou dizendo que o computador estaria em breve à venda no MercadoLivre. Não é bem assim, Trebek, mas os engenheiros da IBM acreditam que a lei de Moore vai permitir que todos tenham seus próprios Watsons a partir de agora. Considerando o quão bem o computador joga contra Jennings e Rutter, eu tenho certeza que os dois estarão entre os primeiros da fila. Desempenho brilhante Watson no vídeo abaixo."


sábado, 15 de janeiro de 2011

Losing my religion e Síndrome de Tourette


Semana passada postei um vídeo com a música "Losing my Religion". Encontrei agora este outro vídeo em que um portador da síndrome de Tourette canta a mesma música em um karaokê.

Sobre o vídeo em questão,  um internauta postou nos comentários do youtube: "Além do óbvio 'fucka, fucka' engraçado e outros palavrões que tornam este video hilário, esse cara realmente tem uma voz realmente incrível. (...) Polegares pra cima para o homem que faz que gosta apesar da doença."

Esta síndrome atinge uma pessoa em cada 100 e estima-se que em cada escola dos EUA haja pelo menos uma criança acometida. Um de seus efeitos é "o comprometimento psicológico e social dos acometidos, causando impacto na vida dos portadores e familiares." Nas comoventes palavras de uma criança: "Eles me chamam de monstro. Me sinto terrível, como se fosse um demônio." 

Difícil mensurar a vida que estas pessoas levam, seu sofrimento. Para muitas pessoas (sobretudo os familiares) deve ser tentador se voltar para os contos de fadas religiosos, buscar explicações fáceis, reconfortantes e justificadoras para esses problemas na ideia de carma, demônios ou seja lá o que for.  Por que não dar um passo de coragem, encarar este problema com naturalidade e fazer algo por estas pessoas? Buscar  efetivamente o desenvolvimento de terapias médicas para os portadores da síndrome de Tourette, libertando-os desta prisão. 

A meu ver, este único fato é suficiente para alguém perder a religião e a visão supersticiosa do mundo, se tornar um entusiasta da ciência e buscar por aí novas formas de adquirir significado para a vida.

"'Possa tudo o que vive ser libertado do sofrimento', afirmou Gautama Buda. É um sentimento maravilhoso. Infelizmente, só as soluções de alta tecnologia podem erradicar o sofrimento do mundo vivo. A compaixão por si só não basta", disse David Pearce. É preciso se voltar à biotecnologia, bioinformática, IA, nanotecnolgoia e neurociência para isso. Mãos a obra!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Difícil competir com a religião

Não adianta querer retirar o terreno e achar que a casa vai ficar flutuando no vácuo, porque não vai.


Noticiei aqui no blog o importante papel desempenhado por alguns filantropistas no financiamento de pesquisas científicas antienvelhecimento. Não sei ao certo quanto o SENS já arrecadou em doações, mas acho que é plausível estimar, muito por alto, algo na casa dos R$12 milhões em cerca de cinco anos, com doações do mundo inteiro (mas principalmente dos EUA).

E a religião, o que arrecada? Não tenho os dados  nesse sentido, mas uma única igreja (a Igreja Universal), no Brasil, arrecadou em 2009, segundo o Ministério Público, aproximadamente R$1,4 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais), basicamente vendendo promessas de saúde, prosperidade e vida além da morte no paraíso a seus fiéis. Se acrescentarmos a receita de todas as demais denominações e religiões, talvez seja possível dobrar esta conta, ou seja, cerca de R$2,8 bilhões apenas no Brasil, em um único ano.

Pobre condição humana. Cientistas transhumanistas precisam ter mesmo muita tenacidade de espírito, porque, além de lidar com a incerteza, lidam com um orçamento muitíssimo menor.  Como disse William Andregg sobre as pesquisas antienvelhecimento, "Não há nada inevitável sobre o nosso sucesso. Todo mundo que tem talento suficiente para fazer uma contribuição deveria estar tentando ajudar, em todas as frentes, por qualquer meio ético, como se fosse uma questão de vida ou morte -- porque é." 

Mas, como já disse antes no primeiro post, a culpa não é apenas da religião. A religião é uma  tecnologia humana que serviu muito para o homem durante milhares de anos para conciliá-lo com a observação empírica de que o corpo morre e apodrece (a par dessa função psicológica, também sempre foi instrumento hábil de exploração, agregação e controle social). Acho que, se tivessem um cérebro um pouco maior, elefantes e golfinhos criariam suas próprias denominações.

Mas homens e mulheres de ciência também merecem crítica: é preciso algo para inspirar as pessoas, não basta subtrair-lhes a fé com explicações científicas do mundo (daí o valor de trabalhos como os da SingularityU). Aos seguidores de Dawkins: nem uma tonelada de evidências vai subtrair a fé de alguém se não houver alternativa ao conforto psicológico e existencial que a fé proporicona, sem que hajam novos mitos, ainda que calcados na ciência e tecnologia. Isso se equipara a uma necessidade fisiológica. Não adianta querer retirar o terreno (a religião) e achar que a casa vai ficar flutuando no vácuo, porque não vai. Vai cair em cima do primeiro arrimo, que pode ser o subsolo de um templo da Universal no Japão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nick Bostrom: A vida humana em sua plenitude é maravilhosa



(Clique no play do vídeo acima para aprimorar sua experiência com a leitura deste post ;)

"Pensem em algum momento da sua vida... que algumas pessoas podem nunca ter experimentado - mas para outras, tem aqueles momentos únicos que você experimentou em que a vida foi fantástica.

"Pode ter sido um momento de grande inspiração criativa que você teve quando entrou nesse estágio. Ou quando você finalmente compreendeu alguma coisa. Ou talvez o êxtase do amor romântico. Ou uma experiência estética - um por-do-sol ou uma obra de arte. De vez em quando temos esses momentos, e percebemos o quanto a vida pode ser boa. E você se pergunta por que não pode ser assim todo o tempo? Você quer que isto dure para sempre. E, claro, voltamos à vida normal e essa memória desaparece. E é muito difícil lembrar, numa disposição mental normal, como a vida pode ser boa. Ou como pode ser ruim em certos momentos.

 "A vida humana em sua plenitude é maravilhosa" -- Nick Bostrom, fundador da Humanity+ e professor de Filosofia na Oxford University

"O terceiro grande problema é que a vida não é tão maravilhosa como poderia ser. Eu acho que esse é um grande problema. É fácil falar o que não queremos. Eis aqui algumas coisas que não queremos... doença, morte involuntária, sofrimento desnecessário, crueldade, atrofia, perda de memória, ignorância, falta de criatividade. Imaginem que possamos consertar isso - fazer algo em relação a isso. Fomos bem sucedidos. Nos livramos de tudo isso. Podemos acabar assim. Quer dizer, é muito melhor que isso. Mas isso é tudo que conseguimos - que sonhamos? É o melhor que podemos fazer? Ou seria possível aspirar a alguma coisa mais inspiradora?

"Se pensarmos sobre isso, acho que está bem claro que há maneiras de mudar as coisas, não só eliminando as negativas, mas adicionando positivas. Em minha lista de desejos, pelo menos, vidas mais longas e saudáveis, maior bem-estar, capacidades cognitivas ampliadas, mais conhecimento e compreensão, oportunidades ilimitadas de crescimento pessoal além de nossos limites biológicos, melhores relacionamentos, um potencial incrível para desenvolvimento espiritual, moral e intelectual."  (Assita tudo: Nick Bostrom fala sobre nossos maiores problemas)

A Fonte da Juventude (matéria da Carta Capital)

A matéria abaixo é um pouco antiga (1999), algumas coisas mudaram desde lá (O Extropy Institute dissolveu-se para juntar-se à Humanity+, Aubrey de Grey nem havia lançado seu SENS ainda e Roy Walford faleceu em 2004 aos 79 anos), mas se trata de matéria tão boa que merece ser divulgada. Texto completo aqui

"Um dia, quando as pessoas estiverem vivendo 300 anos e com plena saúde, comentarão: 'Meu Deus, como é que aqueles bárbaros aceitavam viver apenas 75 anos!'" -- Michael Rose, Universidade da Califórnia em Irvine, autoridade mundial em genética do envelhecimento, à Carta Capital.
A Fonte da Juventude: Seremos todos matusaléns?
"Sim", garante a engenharia genética
POR GIANNI CARTA,
De Los Angeles
Imagine o seguinte ser humano: cérebro de albert Einstein na cabeça de Paul Newman, tronco de Sylvester Stallone e pernas de Pelé. Melhor ainda: esse homem, com capacidade de auto-renovação de qualquer órgão do corpo, viverá séculos. Em breve ele poderá se materializar. Sentado no bar do Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, Max More, 35 anos, doutor em Filosofia e líder do Extropy Institute, confirma: "Seremos capazes de nos autodesenhar para sermos quem quisermos". E acrescenta: "Mas, infelizmente, o mais provável é que minha geração seja a última a morrer".

O Extropy Institute, artéria do transumanismo, movimento que almeja ampliar as capacidades humanas ad infinitum, está sediado na ensolarada Califórnia e tem centenas de afiliados. Munido de um laptop, um motorista de caminhão se comunica com More de várias cidades americanas. Seu interesse não passa de um sonho para todos nós que, num momento ou outro, vivemos nesta Terra: a imortalidade. Mas, se viver para sempre é algo irrealizável - pelo menos por ora -, eis o aforismo que vem à tona em todos os encontros extropianos: "Quanto mais (existirmos), melhor".

Extropianos são gente seriíssima. Segundo os princípios do grupo, eles visam, entre outras coisas, aumentar sua inteligência, vitalidade e capacidade de armazenar informações. À recente conferência Biotech Futures: Challenges Of Life Extension And Genetic Engineering, na Universidade da Califórnia, em São Francisco, organizada pelo Extropy Institute, compareceram 200 pessoas. E não se tratava de um bando de crias da Internet, capaz de ousar somente quando escudado por computadores. Ao contrário. Vários dos articulados participantes encarnam o que há de melhor nas mais diversas áreas do conhecimento e da atividade humanos.

RAPIDEZ. Embora nem todos sejam membros do Extropy Institute, esses engenheiros espaciais, cientistas, filósofos, médicos, advogados, analistas de computadores e cientistas sociais pregam que, por meio da ciência, da tecnologia e da biologia, podemos prolongar a vida. E os mais otimistas - mais visionários? - acreditam que um dia seremos todos matusaléns, numa alusão ao patriarca hebreu que, antes do Dilúvio, teria vivido 969 anos.


O que está claro é o seguinte: num futuro muito próximo, haverá mudanças que pensávamos possíveis somente em filmes de ficção científica. Na verdade, estamos nos dando conta de que, pouco a pouco, avanços tecnológicos não nos deixarão mais de queixo caído. O motivo? Nunca, no curso da história do homem, novidades médicas, tecnológicas e científicas aconteceram com a rapidez atual. Segundo Ray Kurzweil, presidente da Kurzweil Technologies Inc., o processo evolucionário está em constante aceleração porque se apóia em descobrimentos do passado.

 
Portanto, o ritmo de inovações tecnológicas só tende a aumentar.

Leia (e, se é simpatizante da causa, que tal divulgá-lo?) o
texto completo aqui.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O futuro no século 21, como ele será?


Sempre achei esse vídeo muito bom, principalmente essa música, que parece transmitir uma ideia de transição acelerada, com dificuldades pelo caminho e triumfo final (a saga do herói).

Não é muito acurado quanto às previsões, mas o autor parece ter se baseado pelo menos parcialmente em "A Era das Máquinas Espirituais". De qualquer jeito, a música compensa. Vale a pena divulgar.